A fisionomia quase sempre tranquila de Geninho deixa pouca sugestão sobre como o
técnico fez para "endireitar" a Portuguesa no Campeonato Brasileiro. O
tratamento de choque, tática usada por alguns treinadores nos momentos ruins,
foi dispensado pelo técnico, que ganhou o grupo na conversa. O discurso é
recheado de metáforas, figuras de linguagem e, sempre que necessário, palavras
pesadas e até toscas, como o próprio treinador definiu.
Quando assumiu uma equipe cheia de problemas e tida como candidata ao
rebaixamento no Campeonato Brasileiro, em abril, o técnico identificou as
dificuldades e começou, aos poucos, a combatê-las. "Na época eu usei um termo
que o pessoal achou curioso: 'disse que estava trocando o pneu com o carro
andando'. Era uma analogia, porque estava fazendo um time novo, mesmo jogando
quarta e domingo", explicou o técnico.
Sobre a importante vitória, admitiu: "quando você coloca três pontos a mais
dentro da sacola, a tranquilidade é maior. Mas você tem que tomar cuidado para
que a tranquilidade não se transforme em letargia", complementou. É aí que, como
forma de chamar a atenção de novo do elenco, Geninho é mais duro com seus
jogadores.
Não que as metáforas deixem de fazer sentido. "Eles entendem bem",
afirmou.
"Não uso sempre as mesmas palavras. Quando você fica um tempão fechado com 30
homens no vestiário, você pode se dar ao luxo de falar alguma besteira, uma
palavra mais dura, mais tosca mesmo", disse. Enquanto o time manter a reação que
já o coloca na 10ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 36 pontos, o técnico
pode continuar floreando o discurso, sem precisar endurecer muito.
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