Bruno e Peya serão cabeças 2 no US Open

O ranking desta segunda-feira trouxe mais uma novidade para Bruno Soares: ele é o quarto melhor duplista do mundo, igualando a marca de Cássio Motta de 30 anos atrás. Na próxima segunda-feira, o valoroso mineiro igualará os pontos de seu parceiro, o austríaco Alexander Peya, mas ainda permanecerá em quarto devido ao regulamento de desempate (e não subirá para terceiro, como anteriormente eu havia imaginado e postado). 


A explicação é simples: enquanto para simples o desempate se faz através da soma de pontos de Grand Slam e Masters, para duplas o primeiro critério é a quantidade de torneios disputados, daí o mineiro ainda ficar atrás por ter dois a mais.

Por que Peya tem hoje mais pontos que o companheiro? Porque ele não disputou o Masters de Cincinnati do ano passado e, pelo regulamento, pôde até agora somar os 250 pontos do título de Kuala Lumpur do ano passado. O brasileiro, ao contrário, jogou Cincy ao lado do colombiano Juan Sebastian Cabal e é obrigado a manter os 90 pontos porque todo Masters é um evento obrigatório. Dessa forma, tinha de descartar esses 250 pontos da Malásia.

Como os dois jogarão Cincinnati a partir desta quarta-feira, o privilégio do austríaco acaba e ele passará a ter idêntica pontuação à de Soares. Vale lembrar que o mineiro ganhou um ATP 250 em janeiro, em Auckland, com o britânico Colin Fleming, mas essa pontuação sequer está contabilizada nos seus 18 melhores resultados tamanha a quantidade de resultados espetaculares que ele obteve desde então.

Portanto, Soares e Peya iniciam Cincinnati com 5.790 pontos no ranking individual e a excelente notícia é que ninguém poderá alcançá-los. Os indianos Rohan Bopanna e Mahesh Buphati (que nem joga, contundido) defendem o vice do ano passado e os espanhóis Marcel Granollers e Marc López foram quadrifinalistas.

Portanto, os dois já podem comemorar a condição de cabeça 2 no US Open. É a primeira vez na Era Profissional que um brasileiro irá figurar nessa honrada posição numa chave de duplas de Grand Slam. Bruno já tinha sido cabeça 3 em Wimbledon semanas atrás. Em 1983, no auge como duplistas, Motta e Carlos Kirmayr foram cabeças 5 tanto em Roland Garros como no US Open.

Na composição de seus 18 melhores resultados do momento, Soares tem seis títulos: os 250 de São Paulo e Eastbourne, os 500 de Barcelona, Valência e Tóquio e os 1.000 de Montreal. Entram também os vices: 300 de Hamburgo e 600 de Madri, que se completam com a semi de Roland Garros (720) e de Indian Wells (360) e as quartas do US Open (360) e Masters de Paris (180). Os resultados mais fracos são a segunda rodada da Austrália (90) e as oitavas de Cincinnati (90).

Ah, e embora a ATP ainda não tenha confirmado, é líquido e certo que os dois também estarão no Finals de Londres, podendo então acrescentar um 19º valor ao ranking. Aliás, Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig subiram para o oitavo lugar no ranking das parcerias e continuam seriamente na briga. Não deram muito sorte em Cincinnati, já que podem cruzar com os Bryan nas quartas e com Bruno na semi. É importantíssimo somar nesta altura do campeonato.

Muitos me perguntam a razão do sucesso de Bruno ao lado de Peya, que não aconteceu por exemplo com Melo. Em primeiro lugar, Soares trabalhou muito em detalhes técnicos e táticos nos últimos tempos, especialmente a devolução de saque e a movimentação para os voleios. 

São hoje dois pontos altos do seu jogo. Também melhorou muito na questão emocional, aprendendo a dominar os nervos, o que no fundo é bem mais fácil nas duplas do que em simples. Por fim, é evidente seu entrosamento com Peya, dentro e fora da quadra. O mineiro encontrou um parceiro que combina com seu jeito brincalhão e descontraído.

Cincy quente – Muita gente duvidou aqui quando eu postei que a briga real pelo número 1 começava em Montréal, não acreditando na possibilidade de Rafa Nadal jogar melhor no piso duro do que Novak Djokovic. 

A resposta veio na quadra e, depois, na entrevista do espanhol, que admitiu ter feito as contas e calculado que precisará atingir cerca de 10 mil pontos até o final do calendário para ter condições de recuperar a liderança. Ou seja, estaria a 2 mil pontos da meta, o que convenhamos é extremamente palpável se considerarmos que existem 6.500 pontos em disputa entre o US Open, os três Masters e o Finals.

Mas é claro que Djokovic não está fora da briga. Muito pelo contrário. A derrota para Rafa foi nos detalhes e o sérvio claramente não jogou o seu melhor, tendo falhado no saque e em alguns forehands fáceis. Por isso mesmo, fundamental vermos o que vai acontecer em Cincinnati, onde a chave ajudou Nole e deixou para Nadal a tarefa de cruzar com Roger Federer e Andy Murray. Tudo isso, óbvio, é teoria. Porque em torneios Masters tudo pode acontecer, como Montréal deixou bem claro na semana passada.

Em temporada de tantas façanhas no circuito, Djokovic concorre para um que é muito significativa: tornar-se o único tenista a ter vencido cada um dos nove Masters. Só falta Cincy, onde perdeu quatro finais, na sua magnífica coleção.

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