Em Toronto, o Brasil derrotou o Chile por 2 a 1, em seu penúltimo amistoso antes da convocação
para a Copa do Mundo, e alguns jogadores terminaram a jornada seguros de que se
aproximaram muito do Mundial. Especialmente Robinho, autor do gol da vitória.
Jorge Sampaoli, o inventivo argentino que comanda a
seleção do Chile, decidiu apostar em uma linha de três zagueiros e deu com os
burros n'água. A defesa chilena estava uma bagunça, cometendo erros grosseiros
na saída de bola.
Bastava à seleção apertar um pouco a marcação para fazer o seu
gol e foi o que ocorreu. Acossado por Jô, o flamenguista Marcos González - que é
reserva no time carioca, não sem motivo - entregou a bola de presente para Oscar
e ele encontrou Hulk livre. O corpulento atacante não teve muito trabalho para
soltar um chute cruzado que deixou sem ação o goleiro Bravo.
O
Brasil teve mais uma ou duas chances de gol até que Jorge Sampaoli decidiu
arrumar a casa, introduzindo Valdivia na partida e mudando a sua defesa para uma
linha de quatro jogadores. Coisa simples e que costuma funcionar. E funcionou. O
meia do Palmeiras não mostrou um futebol deslumbrante, mas sua presença serviu para que o Chile
conservasse a bola em seu poder, jogando perto do gol brasileiro. Ao time de
Felipão sobrou o papel de contragolpear, coisa que não o incomoda nem um pouco.
O maior problema do Brasil no primeiro tempo foi a falta
de Neymar. O craque do Barcelona estava no horroroso campo do Rodgers Centre,
mas errava tudo o que tentava. Passes, dribles, tudo. Quando Neymar está mal, a
seleção brasileira se torna um time bem pior.
A preguiça que tomou conta da
seleção na reta final do primeiro tempo foi abandonada nos minutos iniciais do
segundo e isso bastou para colocar o Chile em problemas. Mesmo com um Neymar
ainda opaco, o Brasil criou ótimas chances - a melhor delas foi um chute de Hulk da entrada
da área que quase derrubou a trave. A quantidade de passes errados pelos
chilenos nas imediações de sua área era algo realmente assustador.
Não tardou, no entanto, para a seleção brasileira voltar
à letargia, como se o jogo já estivesse ganho. Não estava. Mesmo sem ser brilhante, longe disso, o Chile empatou graças a uma falha da
defesa brasileira, normalmente segura. Thiago Silva perdeu uma disputa pelo alto
para Beausejour e a bola sobrou para Vargas. O atacante do Grêmio aproveitou o
enorme espaço que David Luiz lhe deu e marcou com um chute colocado.
O gol foi a senha para o Brasil voltar a acelerar - e a liderar
o placar. Uma bola cruzada por Maicon encontrou a cabeça de Robinho, que entrou
no segundo tempo, e o jogador do Milan fez o gol da vitória da seleção. E a
turma de Felipão deixou no ar a nítida sensação de que, ainda que não jogue bem,
consegue ganhar do Chile sem precisar fazer muito esforço.
O amistoso desta
terça fechou um ano vitorioso para o Brasil em sua preparação para a Copa. Na
única competição oficial disputada, o título da Copa das Confederações veio de
forma mais do que convincente. Com um belo futebol, ganhou as cinco partidas que
disputou, incluindo uma memorável e arrasadora vitória por 3 a 0 na grande
decisão sobre a campeã mundial e bi europeia Espanha, em um ensandecido estádio
do Maracanã, no Rio de Janeiro.
No total, a seleção jogou 19 vezes em
2013. Felipão reestreou justamente na primeira partida deste ano - uma derrota
por 2 a 1 para a Inglaterra, no estádio de Wembley, em Londres. Desde então, o
time brasileiro só perdeu outra vez para a Suíça, em amistoso disputado em
agosto. Com um ataque arrasador, comandado por Neymar, foram 13 vitórias e
quatro empates, com 49 gols marcados e apenas 15 sofridos.
Agora, a seleção
volta a campo somente no dia 5 de março em um amistoso contra a África do Sul,
em Johannesburgo. Depois, já com os 23 jogadores que disputarão a Copa, o time
joga dois amistosos preparatórios, já em território brasileiro, nos dias 4 e 7
de junho. A estreia no Mundial, na Arena Corinthians, em São Paulo, será no dia
12.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 2 x 1 CHILE
BRASIL -
Julio Cesar; Maicon, Thiago Silva (Dante), David Luiz e Maxwell; Luiz Gustavo,
Paulinho (Hernanes), Oscar (Willian) e Hulk (Ramires); Jô (Robinho) e Neymar
(Lucas Leiva). Técnico: Luiz Felipe Scolari.
CHILE - Bravo; Jara, Medel,
González e Mena; Carmona, Marcelo Díaz (Beausejour) e Gutiérrez (Muñoz); Vargas,
Alexis Sánchez e Fuenzalida (Valdivia)(Matías Fernández). Técnico: Jorge
Sampaoli.
GOLS - Hulk, aos 13 minutos do primeiro tempo; Vargas, aos 25,
e Robinho, aos 33 minutos do segundo tempo.
CARTÕES AMARELOS - Paulinho
e Robinho (Brasil); Medel e Beausejour (Chile).
ÁRBITRO - Silviu
Petrescu (Fifa/Canadá).
LOCAL
- Estádio Rodgers Centre, em Toronto (Canadá).
Fonte:Agência
Estado
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