
Para Dunga, que definiu como craque o jogador que é decisivo em quase todas as partidas, o futebol brasileiro não possui esse tipo de atleta nesse momento. "Isso não somos nós que temos de comprovar, são eles. Mas é uma constatação. Vamos ver. O Pelé, de dez partidas, resolvia seis, sete. O Garrincha resolvia seis, sete. Lógico, quanto mais passa o tempo, fica mais difícil, os espaços são mais reduzidos, a marcação é mais apertada, o adversário põe dois jogadores em cima... Mas hoje, no futebol moderno, o cara, para ser diferenciado, tem de decidir, em dez partidas, pelo menos cinco, seis, tem de ser acima da média", afirmou.
Dunga também comentou a sua primeira convocação no comando da seleção brasileira, marcada para a próxima terça-feira, para os amistosos contra a Colômbia, em 5 de setembro, e o Equador, no dia 9, em amistosos marcados para os Estados Unidos. O treinador deu a entender que vai chamar uma equipe mesclada entre jovens e experientes, mas avisou que ninguém terá lugar cativo no time.
"Vou botar uma mescla entre jovens e veteranos, buscar sangue novo, aguçar a competitividade entre eles, não deixar ninguém pensar que é o dono, ninguém se acomodar. Tudo isso", afirmou.
Embora tenha declarado anteriormente que precisa melhorar o seu relacionamento com os jornalistas, o treinador aproveitou um questionamento sobre a derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo, para ser irônico ao declarar que seria bombardeado pela imprensa se fosse o treinador da equipe naquela partida.
"Nem quero imaginar (se fosse o técnico contra a Alemanha), senão os caras me matam. Empatei em 0 x 0 com a Argentina, com um a menos, em Belo Horizonte, e o estádio todo vaiou, imagina 7 a 1. Ninguém imagina, e ninguém quer imaginar. Porque é duro, ainda mais se tratando de seleção", comentou Dunga, que comparou a acachapante derrota com uma luta de boxe.
"É que também tinha um time do outro lado, que estava encaixado, com a autoestima lá cima, muito concentrado naquilo que teria de fazer, muito atento. É difícil falar, porque tu não esteve (sic) lá dentro para ver, mas é mais ou menos como um boxeador: o Brasil levou o primeiro golpe, e a Alemanha não deixou o Brasil respirar. Foi para cima e, quando se viu, o Brasil estava nocauteado. Não deram tempo de o Brasil dar os três segundos, o juiz contar até dez... Não. Levou o primeiro no queixo, tonteou e a Alemanha...", concluiu.
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